sábado, 29 de maio de 2010

No Ar, o Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea

Caros e Caras:

Acabo de receber a seguinte msg e repasso, para q vcs tb o acessem...
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Caros Colegas:


É com prazer que anunciamos a nova edição do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, constituída de textos de alunos de graduação e pós-graduação.


O endereço é: http://www.forumdeliteratura.com/

Abraços da equipe de edição.

Luciano Trigo e A Grande Feira, no DN

Direciono-os pr'uma matéria do jornal Diário do Nordeste (Fort.-CE), de hoje, 29 maio 2010, sobre o recém-lançado livro do jornalista Luciano Trigo, A grande feira: uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010), q contém "uma reflexão crítica sobre a produção artística atual e seus agentes mais importantes".

Apesar dos comentários de Luciano Trigo serem sobre artes plásticas (ou visuais) em geral, talvez se possa chegar a um parecer + ou menos - semelhante sobre a literatura de uns tempos pra cá... Ou será q não?

O link a matéria é: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=792390

Rachel de Queiroz e J. Olympio, n'O Povo (Fort.-CE) de 29/5/2010

Rachel 100 anos
Louvação do bom livreiro
   A publicação do catálogo da José Olímpio suscita esta crônica, datada de 23 de abril de 1949. Rachel louva a atuação incansável do livreiro, editor de sua obra e de tantos outros importantes nomes da literatura
Rachel de Queiroz
29 Maio 2010
   Nascida em Fortaleza, a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) é destaque nas páginas do O POVO por todo o ano. Em homenagem ao centenário da autora de O Quinze (1930), o jornal divide com seus leitores parte do acervo de cerca de duas mil crônicas.
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   Esta crônica que hoje vem comemorar a publicação do novo catálogo da Livraria José Olímpio Editora. Pode à primeira vista parecer que todos os que escrevemos a esse respeito estamos dando, talvez, uma importância demasiada ao que no fim de contas vem a ser um acontecimento rotineiro na vida comercial de uma grande editora. Acontece porém, que, para nós, os da literatura brasileira, esse catálogo não é apenas uma lista de vendas de produtos comerciais: é, antes de tudo, uma espécie de anúncio das nossas produções, o registro da nossa atividade de escritores brasileiros. Uma espécie de índice de toda a moderna literatura nacional. Pequenos a grandes, estreantes e veteranos, estamos todos ali, fora poucas exceções - e confesso que há exceções da maior importância - Manuel Bandeira, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, por exemplo; contudo creio que os dedos das mãos dariam para contá-las todas. E tirando-se essas exceções, que servem apenas para confirmar a regra, pode-se afirmar que toda a literatura brasileira, através dos seus nomes mais expressivos, aparece nos catálogos daquela casa. E pois quem quiser se informar acerca dessa literatura, que leia aquele catálogo.
   Não sei se todos dão ao livreiro José Olímpio o valor real que tem esse homem no mundo das letras. A sua intuição, a segurança dos seus julgamentos, o seu bom gosto, a sua imensa capacidade de ser amigo, a sua lealdade, a sua exemplar probidade como homem particular e como homem de negócios. Jamais permitiu que os seus sentimentos políticos ou religiosos, ou que as convivências comerciais da sua casa influissem em quantidade ínfima, sequer, no livre direito de expressão dos seus editados. Antes é ele o mais estrênuo defensor dessa liberdade, e creio que preferiria fechar as portas da editora a pedir a um dos seus autores que alterasse uma linha sequer num original por amor de algum interesse ou receio subalterno. O contrário é que acontece - e vê-se mais de uma vez o editor a estimular o autor tímido ou tíbio a correr os riscos do público, a depender apenas do julgamento do público, a considerar o público seu único juiz. Jamais deixou de se interessar pela edição de uma obra de arte de ciência por motivos que não se liguem diretamente ao mérito daquela obra - e basta a leitura do catálogo em questão para comprovarmos o democrático ecletismo que norteia a sua escolha de livros. E não se diga, porém, que tal catálogo se observa apenas entre autores nacionais, em cujo meio não há muito para escolher. A seleção de traduções, feita sob a direta responsabilidade da casa, põe na rua Santa Teresa d-Avila e Leon Trotski, a Imitação de Cristo e as Ilaisons Dangereuses, Catanova e Dostolevski - porque o que lhe interessa é a obra de arte e o seu valor intrínseco, e a indispensável contribuição para a cultura brasileira que representa a sua vulgarização em bom vernáculo.
   Outra virtude essencial do editor José Olímpio é o seu respeito pela dignidade do escritor - dignidade de profissional e dignidade de indivíduo. Sendo ele o grande animador, o grande difusor da moderna literatura brasileira, lançando constantemente nomes novos, ampliando o âmbito de expansão dos nomes feitos, jamais entretanto tomou ares de mecenas; jamais alegou em conversas particulares ou em entrevistas de imprensa os benefícios que fez, os sacrifícios que aceitou por amor da cultura. E jamais igualmente caiu no erro oposto - o de nos tratar como simples produtores da mercadoria que ele vende, sabendo, sempre estabelecer a essencial diferença que existe entre o trabalho manual e o labor intelectual.
   Falei na honestidade proverbial da Casa. Todos que, como nós, com ela transigimos praticamente desde a sua fundação, poderemos apresentar testemunho do que é essa honestidade. Nunca vimos alterada ou censurada em alguns dos nossos originais uma palavra, uma vírgula ou menos por amor de qualquer consideração imaginária de segurança ou conveniência.
   Ali, os cortes únicos que já nos sugeriram foram pelo sabedor Aduardo, nos erros de português...
   Nunca nos foi insinuado, por qualquer das pessoas da casa, esta ou aquela orientação para a obra que muitas vezes antes até de estar escrita já está vendida e paga, dependendo essa antecipação das necessidades da nossa bolsa...
   Nunca, por exemplo, nestes anos e anos de negócios, entre nós e a nossa editora foi escrito qualquer termo de contrato, pois nunca houve necessidade de documentos entre a casa e os seus editados para que seja respeitada a correção e a boa fé entre as duas partes contratantes. Contam-se por dezenas as traduções que já fizemos para eles, por eles foi editado ou reeditado tudo que temos produzido, e querido publicar nestes 18 anos de atividade literárias; e deixando ao arbítrio da casa a retribuição ao nosso trabalho, jamais tivemos que nos queixar por remuneração injusta, deficiente ou retardada.
   Jamais, absolutamente jamais, ouvimos uma queixa referente àquilo que em 90% dos casos é motivo de brigas entre editor e editado: o excesso de volumes tirados acima do número combinado para a edição; a casa desconhece praticamente a fiscalização dos autores, a rubrica autoral, a numeração de tiragem; é que essa fiscalização sempre foi desnecessária, - o nosso melhor fiscal é o nosso editor. E quando aqui digo o "editor", refiro-me não só à pessoa do dirigente da casa: refiro-me igualmente ao complexo de direção que ele criou, à sua equipe diretora dentro da qual se destaca trabalhador infatigável, animador das melhores iniciativas, grão-vizir daquele califado, o irmão e braço direito do chefe, Daniel Pereira.
   Foi assim que José Olímpio se fez o grande amigo dos seus editados; detrás da sua banca de trabalho, tratando dos seus negócios e dos nossos negócios. Não precisou ninguém lhe aparecer com apresentações importantes, recomendado por medalhões. Todos nós o desconhecimento igualmente quando o procuramos com o nosso pequeno livro, pedindo-lhe que o mandasse ler e, se possível, editar. Foi em relações de trabalho e de negócios que nos fizemos amigos, não em reuniões sociais; é transigindo conosco, negociando, trabalhando e obrigando-nos a trabalhar, cuidando do nosso patrimônio literário com muito mais ciúme do que cuida da herança dos seus filhos, que ele se tornou para nós todos um amigo indispensável e precioso. Que o afirme não apenas eu, que não sou nada, mas os grandes nomes das letras nacionais; que digam se estou mentindo José Lins do Rêgo, Gilberto Freyre, Otávio Tarquínio de Sousa, Augusto Meyer, Graciliano Ramos, Ciro dos Anjos, Amando Fontes, Genotino Amado, Otávio de Farias, R. Magalhães Júnior, Rubem Braga, Vivaldo Coaracy, Carlos Drummond de Andrade, Aurélio Buarque de Holanda, A. Frederico Schmidt, Gastão Cruls, Pedro Nava, Agripino Grieco, José Geraldo Vieira, Herman Lima, Luís Jardim, Sérgio Buarque de Holanda, Américo Facó, Raul Lima, Álvaro Lins, Aníbal Machado, Valdemar Cavalcanti, Silva Melo, Padre Negromonte, Josué Montelo, Nélson Romero, nomeados todos neste catálogo, e outros nomes ilustres que nele não aparecem por culpa de obras esgotadas e por isso fora do mercado.
   Que o digam algumas das maiores mulheres da literatura brasileira - Lúcia Miguel Pereira, Carolina Nabuco, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcia Benedetti, Lia Corrêa Dutra, Maria Eugênia Celso.
   Quem vive de favor público, como nós, temos, por definição, muitos conhecidos, mas pouquíssimos amigos. Não é de admirar portanto que saibamos identificar os amigos no meio dos conhecidos e dentre os poucos escolher os melhores, dos quais este é dos mais sinceros e dos mais fiéis.
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A costura do tempo
   - Nesse dia de 23/4/1949, o escritor e teatrólogo português, Júlio Dantas, concedia entrevista ao O POVO, depois de 26 anos sem falar à imprensa.
   - Notícias vindas da China, afirmavam que as tropas comunistas, lideradas por Mao Tse-tung, tinham ocupado a cidade de Nanquim.
   - O poeta Manuel Bandeira contava a história de sua adolescência e do seu sofrimento ao adoecer de tuberculose aos 18 anos de idade, ficando entre a vida e a morte.
   - A Escola de Polícia do Rio de Janeiro diplomava os primeiros oficiais do Exército e da FAB, no curso contra a sabotagem e espionagem.
MULTIMÍDIA
   Veja os fac-símiles da página original e da capa do O POVO quando da publicação da crônica em http://www.opovo.com.br/.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais considerações e algumas perguntas

Entre o Brasil literário do romantismo através do livro de Ubiratan Machado e o Brasil dos sécs. XX e XXI do livro da Profa. Walnice Nogueira Galvão (As musas sob assédio: literatura e indústria cultural no Brasil): com qual desses dois trabalhos vc fica pra explicar a realidade socio-histórica e literária de nosso país? Por quê?

Vc poderia fazer uma comparação entre as visadas crítico-historiogáficas de um trabalho e do outro? Quais seriam e em q estariam baseadas ambas as visadas?

Vc acha, como parece achar o Ubiratan Machado, q (ainda) há (ou poderá haver) algo de "romantismo" -- no sentido "revolucionário" do termo -- na literatura brasileira dos sécs. XX e XXI?

Por q a "alta" literatura, ou melhor, o livro em geral, não chega absolutamente a todos os segmentos populacionais? Ou vc acha q a "alta" literatura tem chegado a todos eles de alguma outra forma, via outros media?

O q quer dizer "mercado literário"? Não seria isso outro nome pra "campo literário" como o definiu Pierre Bourdieu?

Por q ou por quem "(sobre)vive/rá" a literatura no séc. XXI, e sob quais circunstâncias/aperreios/saias justas?

Dê sua opinião, faça qtos comentários quiser, please!

Três pequenos comentários sobre a entrevista com Ubiratan Machado...

1) É claro q no séc. XIX não houve a tal "consolidação" do "mercado literário" nem no Brasil e nem em qualquer outro país latino-americano -- sobretudo os de fala hispana, q não foram "vítimas" (como foi o Brasil) da proibição de instalar e fazer funcionar casas impressoras durante o período colonial, i.e., os séculos XVI, XVII e XVIII. Rigorosamente falando, essa "consolidação" só começou a acontecer no Brasil de Monteiro Lobato em diante, e, assim mesmo, com muitas lacunas até os nossos dias -- talvez por causa do tamanho de nosso vasto território continental. As causas disso são várias e de profundos e inimagináveis recortes de cunho político, social, histórico etc.

2) Quem lê a entrevista com o Ubiratan Machado e crê piamente em suas palavras desconhece as realidades atual e histórica do país visto como um todo, pois, a meu ver, enxerga umas poucas árvores ao longe e não discerne a floresta. É como se o Brasil se resumisse ao centro de onde emana o Poder, e o país como um todo é bem maior e bem mais complexo q isso. Basta dizer q, durante o romantismo, a população brasileira era eminentemente analfabeta; os poucos q sabiam ler e escrever ou já estavam no Poder ou estavam lutando para dele fazer/tomar parte. Ao contrário dos países europeus mais desenvolvidos, no Brasil do século XIX ainda não havia instrução pública, ou seja, o Estado ainda não se responsabilizava pela educação formal pública -- nem mesmo no ambiente urbano.

3) A distância entre os mundos rural e urbano era muito acentuada. Durante o romantismo, na ausência de meios de comunicação mais modernos (q, de fato, só se fizeram presentes no Brasil como um todo a partir dos anos 1950 e, ainda assim, com muita lentidão), o ambiente rural, cercado por pequenas cidades, era (e, guardadas as proporções, ainda hoje é) apenas um simulacro do ambiente urbano, e assim continuou sendo até o séc. XX. Desta forma, duarante todo esse período, as pequenas cidades do interior apenas simulavam o (q julgavam ser o) "progresso" dos grandes centros urbanos, geralmente as capitais das províncias, depois estados. Pelo país afora, havia pelo menos um jornal impresso em cada uma das pequenas cidades do interior.

* O Globo*, 8 maio 2010: *Livro narra surgimento da vida literária e consolidação de mercado para as letras no Brasil do século XIX*

Entrevista: Ubiratan Machado
Mais que um movimento artístico, o romantismo brasileiro foi um momento de consolidação da esfera intelectual num país que, mal saído da condição de colônia, buscava se afirmar como urbano e cosmopolita. Resgatando personagens maiores e menores da época (de José de Alencar e Machado de Assis a anônimos tradutores de Byron), o jornalista e escritor Ubiratan Machado narra em A vida literária no Brasil durante o romantismo (Tinta Negra) as condições que possibilitaram, no século XIX, o surgimento de um público para a literatura, o nascimento da crítica nos jornais e a penosa profissionalização do mercado editorial, num ambiente pródigo em polêmicas que transbordavam das páginas para bares, cafés e salões. Inspirado na obra do crítico Brito Broca (autor de A vida literária no Brasil - 1900, que morreu em 1961 sem completar seu projeto de escrever a história da vida literária nacional), Machado diz, em entrevista por e-mail a O Globo, que trabalha atualmente num volume sobre o período colonial.
Guilherme Freitas
Brito Broca faz uma distinção entre vida literária e literatura, dizendo que “embora ambas se toquem e se confundam, por vezes, há entre elas a diferença que vai da literatura estudada em termos de vida social para a literatura em termos de estilística”. Levando em conta esta distinção, qual é a importância do estudo da vida literária?
Muito mais do que uma escola literária e artística, o romantismo foi uma grande revolução no pensamento e na sensibilidade do Ocidente. O predomínio do sentimento sobre a razão e a introdução de personagens burgueses, pobres e até repudiados, como prostitutas e bandidos, na literatura, antes privilégio de nobres, correspondia ao desejo de mudança e de justiça social que fervia à época, ampliando em muito as proposições iluministas do século XVIII. Jorge Luis Borges dizia que o romantismo foi “um estilo vital” e que sua história pode prescindir das obras de Byron, mas não de sua vida agitada e de sua morte iluminada. Fica fácil, assim, compreender a importância do estudo da vida literária, sobretudo quando relacionada com a realidade histórica, política e social da época, como procurei fazer em meu livro.
O senhor mostra que o romantismo foi um período decisivo na formação de um público leitor para a literatura. Como isso se deu?
O romantismo no Brasil correspondeu ao período de afirmação da nacionalidade, de enriquecimento do país e de crescente processo de urbanização. A eclosão romântica se deu em 1836. Anos antes, em 1827, foram criadas as faculdades de Direito de Recife e de São Paulo, além das escolas de medicina do Rio de Janeiro e de Salvador, e da Escola Politécnica do Rio. Formava-se assim um público instruído, comprador de livros, com bom poder aquisitivo. E esses rapazes eram românticos inveterados e apaixonados por leitura. Além dos estudantes, o público leitor era formado sobretudo por mulheres. Jovens e sonhadoras, iaiás sentimentais, às quais a poesia e o romance abriam perspectivas infinitas de evasão de suas vidas monótonas, controladas com pulso de ferro pelo pater familias ou pelo marido. Natural, pois, que dessas leitoras surgissem as primeiras mulheres a reivindicar e lutar pelos direitos das mulheres.
A atividade literária era vista com bons olhos pela sociedade?
Era vista de forma ambígua. Enquanto estudantes, os rapazes podiam poetar à vontade. A sociedade considerava tal atitude como uma rapaziada inofensiva. O negócio se tornava sério quando o estudante se tornava bacharel, médico ou engenheiro. Se continuasse a escrever poesias ou romances, corria o risco de ninguém acreditar nele como profissional, além de ser considerado desajustado e/ou efeminado. O médico Manuel Antônio de Almeida desistiu da profissão por considerar que ninguém iria consultar um doutor que fazia versos. Martins Pena só lançou a sua primeira peça depois de ingressar no serviço público, temendo que a divulgação de sua vocação literária impedisse o acesso ao emprego. Alguns mais corajosos continuaram escrevendo em jornais e publicando livros, apesar dos contratempos que isso acarretava. José de Alencar foi ridicularizado na Câmara dos Deputados por ser romancista.
Qual foi o papel de D. Pedro II na vida literária brasileira?
D. Pedro II foi um grande incentivador da literatura e da vida literária. Talvez uma forma de compensar a sua frustração pessoal de escritor medíocre. Desde cedo, ele procurou influir na vida intelectual do país, atuando como um príncipe renascentista, mantendo em relação a artistas e escritores uma atitude ao mesmo tempo paternalista e imperiosa. Não hesitava em tirar dinheiro do próprio bolso para pagar a edição de uma obra, caso de "A Confederação dos Tamoios", de Gonçalves de Magalhães, ou patrocinar autores. Por vezes, procurava modelar as tendências literárias ao seu gosto pessoal. Esse desejo de influir nos rumos da literatura através da vida literária fica evidente com as reuniões organizadas no Paço, da qual participavam os grandes escritores da época, Francisco Otaviano, Machado de Assis, Taunay, e nas quais o imperador sempre arranjava um jeitinho para recitar seus próprios poemas, sem se abalar com os risinhos debochados, mas discretos, dos presentes. Nesse período, o mercado editorial também começa a se articular.
Como eram as relações entre editores e escritores?
Para usar uma expressão bem ao gosto dos românticos, diríamos que escritores e editores se relacionavam como irmãos inimigos. Um necessitava do outro, mas o escritor tinha de pagar pela impressão de seu livro. O que se chamava editor à época era um dono de tipografia que, aliás, não tinha estrutura para arcar com os custos de uma edição. Ou cobrava ou não havia livro. Como muitos autores não tinham recursos, recorriam ao sistema de subscrição. Faziam uma lista e saíam colhendo assinaturas e um percentual de dinheiro correspondente que, somado aos dos demais, cobria os custos da edição. O quadro começa a mudar com Paula Brito, o primeiro editor brasileiro, homem com uma visão empresarial fantástica, que as limitações do meio impediram de desenvolver. Ele chegou a idealizar um sistema nacional de distribuição de livros, antecipando-se em setenta anos a Monteiro Lobato. Brito editou alguns autores por sua conta, mas a regra era cobrar do editado. Não tinha como ser diferente, a menos se quisesse falir. A revolução iniciada por Brito foi completada pelo livreiroeditor francês B. L. Garnier, que iniciou a sua atividade editorial no final da década de 1850. Muito injustiçado pelos contemporâneos, por ser rico e judeu, foi o primeiro editor a lançar livros sem cobrar do autor por isso e, ainda por cima, pagando-lhe direitos autorais. Além disso, deu uma grande dignidade ao livro de autor nacional, passando a imprimi-lo na França.
O senhor nota que os críticos tendiam a escrever textos leves, "borboleteamentos", ou simplesmente elogiar os amigos, sem uma análise mais rigorosa das obras. Por quê?
A prática do elogio mútuo era muito cultivada. Fazer qualquer restrição a um autor era comprar um aborrecimento, se não um inimigo. O círculo literário era muito pequeno, as pessoas se viam a toda hora, esbarravam nas livrarias ou confraternizavam nos saraus. Então, para que buscar sarna para se coçar? Houve exceções: Gonçalves Dias arrasando o pobre Teixeira e Sousa, Manuel Antônio de Almeida, o primeiro a tentar a crítica militante no Brasil, Bernardo Guimarães. No entanto, nenhum deles tinha verdadeira vocação crítica. Atuavam ao sabor do momento, estimulados pela volúpia de atacar, por vezes ultrapassando os limites da polidez e do respeito humano. O cenário muda com Machado de Assis, que se iniciou no gênero na década de 1860, revelando-se um crítico excelente, equilibrado e ponderado, mas logo seguindo outros caminhos.
Já foi observado que a vida literária contemporânea passa por um momento muito ativo, com a proliferação de festivais literários e o uso expressivo da internet como meio de divulgação e debate. O senhor acompanha a vida literária contemporânea? É possível traçar paralelos entre nossa época e o romantismo?
Não acompanho, mas talvez haja um fundo de romantismo em todas essas manifestações.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Oportunidade pra Publicação de Trabalhos

EDITAL DA REVISTA TODAS AS LETRAS

A revista TODAS AS LETRAS, QUALIS A2 - NACIONAL, é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras e do Curso de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie e está recebendo artigos inéditos para a publicação do volume 13, nº2/ 2010.

Todas As Letras está organizada em quatro seções, cada uma das quais voltada para um dos segmentos em que se dividiu a área de pesquisa e produção em Letras, ou seja: Língua, Literatura, Tradução, Outras Letras e Resenha.


Prazo para o envio de artigos: 20 de junho de 2010


Site da Revista para cadastramento e envio dos artigos: http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/tl


Editora Acadêmica: mlatik@mackenzie.br Profa. Dra. Maria Luiza Guarnieri Atik


Editora Executiva: ronaldomartins@mackenzie.br Profa. Dra. Maria Lucia M. Carvalho Vasconcelos


Comissão Editorial:
Profa. Dra. Helena Bonito Couto Pereira
Profa. Dra. Vera Lúcia Harabagi Hanna
Profa. Ms. Célia Guimarães Helene


Apoio Técnico:
Profa. Ms. Beatriz Pereira de Santana


e-mail: todasasletras@mackenzie.br


Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Letras Tel: (11) 2114-8793