1) É claro q no séc. XIX não houve a tal "consolidação" do "mercado literário" nem no Brasil e nem em qualquer outro país latino-americano -- sobretudo os de fala hispana, q não foram "vítimas" (como foi o Brasil) da proibição de instalar e fazer funcionar casas impressoras durante o período colonial, i.e., os séculos XVI, XVII e XVIII. Rigorosamente falando, essa "consolidação" só começou a acontecer no Brasil de Monteiro Lobato em diante, e, assim mesmo, com muitas lacunas até os nossos dias -- talvez por causa do tamanho de nosso vasto território continental. As causas disso são várias e de profundos e inimagináveis recortes de cunho político, social, histórico etc.
2) Quem lê a entrevista com o Ubiratan Machado e crê piamente em suas palavras desconhece as realidades atual e histórica do país visto como um todo, pois, a meu ver, enxerga umas poucas árvores ao longe e não discerne a floresta. É como se o Brasil se resumisse ao centro de onde emana o Poder, e o país como um todo é bem maior e bem mais complexo q isso. Basta dizer q, durante o romantismo, a população brasileira era eminentemente analfabeta; os poucos q sabiam ler e escrever ou já estavam no Poder ou estavam lutando para dele fazer/tomar parte. Ao contrário dos países europeus mais desenvolvidos, no Brasil do século XIX ainda não havia instrução pública, ou seja, o Estado ainda não se responsabilizava pela educação formal pública -- nem mesmo no ambiente urbano.
3) A distância entre os mundos rural e urbano era muito acentuada. Durante o romantismo, na ausência de meios de comunicação mais modernos (q, de fato, só se fizeram presentes no Brasil como um todo a partir dos anos 1950 e, ainda assim, com muita lentidão), o ambiente rural, cercado por pequenas cidades, era (e, guardadas as proporções, ainda hoje é) apenas um simulacro do ambiente urbano, e assim continuou sendo até o séc. XX. Desta forma, duarante todo esse período, as pequenas cidades do interior apenas simulavam o (q julgavam ser o) "progresso" dos grandes centros urbanos, geralmente as capitais das províncias, depois estados. Pelo país afora, havia pelo menos um jornal impresso em cada uma das pequenas cidades do interior.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário